" Ler não é decifrar, escrever não é copiar".

(Emilia Ferreiro)

17 junho, 2012

Metas da Educação Infantil



                                          Metas para a Educação Infantil - C1, C2 e C



As atividades deverão ser elaboradas priorizando as competências e habilidades abaixo, para que os alunos cheguem ao final do ano letivo capazes de:
Ampliar as possibilidades de comunicação expressão, desenvolvendo a oralidade através das situações sociais;
Ler, escrever e identificar letras, palavras e textos ainda que não de forma convencional;
Escutar textos lidos, apreciando a leitura feita pelo professor;
Contar e recontar textos infantis (histórias, cantigas, parlendas etc.); utilizando a linguagem oral e da linguagem escrita registrando através de desenhos ou palavras ainda que não seja de forma convencional;
Familiarizar-se com a escrita por meio do manuseio de livros, revistas e outros portadores de texto;
Identificar e escrever seu nome nas diversas situações do cotidiano;
Produzir livremente a escrita;
Identificar e escrever os numerais de 0 a 9;
Associar número/ quantidade;
Identificar as cores;
Desenvolver o conceito de classificação (até 3 atributos);
Desenvolver o conceito de seriação (até 3 elementos);
Desenvolver a percepção auditiva, gustativa, olfativa, tátil e visual;
Identificar figuras geométricas.


                                             Metas para a Educação Infantil - P1 e P2

As atividades deverão ser elaboradas priorizando as competências e habilidades abaixo, para que os alunos cheguem ao final do ano letivo capazes de:
Ler, escrever e identificar letras, palavras e textos ainda que não de forma convencional;
Elaborar perguntas e respostas de acordo com os diversos contextos em que participa;
Escutar textos lidos, apreciando a leitura feita pelo professor;
Familiarizar-se com a escrita por meio do manuseio de livros, revistas e outros portadores de texto;
Contar e recontar textos infantis (histórias, cantigas, parlendas etc.); utilizando a linguagem oral e da linguagem escrita registrando através de textos escritos ainda que não de forma convencional;
Identificar e escrever seu nome nas diversas situações do cotidiano;
Produzir livremente a escrita;
Identificar e escrever os numerais de 0 a 9;
Reconhecer e valorizar os números, as operações numéricas e as contagens orais;
Desenvolver o conceito de classificação;
Desenvolver o conceito de seriação.

As competências acima se referem às áreas de Linguagem Oral e Escrita e Matemática.

A área de Natureza e Sociedade deverá ser aplicada de acordo com os temas trabalhados ou não, porém sempre contextualizada às demais.

As áreas de Música, Movimento e Artes Visuais deverão ser aplicadas adequando-se aos conteúdos das áreas de Linguagem Oral e Escrita, Matemática e Natureza e Sociedade.

A área de Identidade e Autonomia deverá ser desenvolvida diariamente, visto que visa à formação pessoal e social da criança.

Bom Trabalho!!

Érika Alves e Wanessa Vilella

Coordenadoras Pedagógica da Educação Infantil
http://coordenacaopedagogicasjb.blogspot.com.br/2010/03/metas-da-educacao-infantil.html









28 março, 2012

A desestabilização das escritas silábicas: alternâncias e desordem com pertinência

Emília Ferreiro
A autora Psicolinguista e doutora em Psicologia, é investigadora emérita do Centro de Investigação e de Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional, no México. Área de estudo Psicogênese da língua escrita. Contato

Este texto1 explora novas maneiras de entender as dificuldades das crianças de fala espanhola para abandonar a análise silábica da palavra oral e substituí-la pela análise sequencial de fonemas. Propõe-se uma analogia com a escuta musical (não profissional) de um acorde de vários instrumentos (cordas e sopros) e um mecanismo de ancoragem em uns ou outros (vogais ou consoantes), similar à alternância de centrações cognitivas. Vários exemplos do processo de produção de palavras "difíceis" por crianças de 5 anos ilustram a utilidade desse enfoque.

Introdução

Em 1979, foi publicado no México, o livro Los Sistemas de Escritura en el Desarollo del Niño2. Os dados que o compõem foram recolhidos em Buenos Aires e arredores em uma época particularmente inóspita para os habitantes do país. Esses dados foram analisados no exílio por Ana Teberosky (em Barcelona) e por mim (em Genebra), em tempos em que não havia correio eletrônico, escâner nem os recursos de comunicação a distância a que estamos acostumados.

Nesse livro se defendia, entre outras teses, uma particularmente ousada: para tratar de entender a escrita alfabética, as crianças falantes da língua espanhola passam por um período silábico. De fato, inventam uma escrita silábica em que cada letra escrita corresponde a uma sílaba oral. No período de apogeu dessas construções silábicas, aparecem letras pertinentes para cada sílaba. Em espanhol, as letras pertinentes privilegiadas são as vogais3.

Na obra se sustenta o seguinte: "A criança abandona a hipótese silábica e descobre a necessidade de fazer uma análise que vá além da sílaba pelo conflito entre a hipótese silábica e a exigência da quantidade mínima de grafias (ambas as exigências puramente internas, no sentido de serem hipóteses originais da criança) e o conflito entre as formas gráficas que o meio propõe e a leitura dessas formas gráficas em termos da hipótese silábica (conflito entre uma exigência interna e uma realidade exterior ao próprio sujeito)".

De acordo. Porém o que quer dizer "fazer uma análise que vá 'além' da sílaba"? O que ali se disse é basicamente correto (ainda que deveria ter posto palavras gráficas no lugar de formas gráficas). Correto, mas insuficiente. Nesse fragmento, somente se fala dos conflitos, mas não se diz nada acerca das maneiras peculiares e próprias de analisar a sílaba em função da escrita no momento de crise da hipótese silábica. Por acaso se passa do período silábico ao alfabético porque se abandona a análise oral em sílabas e se passa a uma análise em sequências de fonemas? O período seguinte (que chamamos silábico-alfabético) parece indicar que isso não ocorre, já que as produções desse momento da evolução são mistas por natureza: algumas sílabas se escrevem com uma única letra, como no período precedente, mas outras sílabas se escrevem com mais de uma letra, anunciando, ao que parece, o abandono da análise silábica.

Recentemente, comecei a prestar atenção em processos de produção que podem nos pôr na pista de um novo modo de compreensão desse período de transição. Dois exemplos enfocam a questão.

Maria (5 anos) vai escrever a palavra sopa. Vai dizendo as sílabas enquanto escreve as vogais correspondentes. O resultado é OA. Maria observa o resultado e diz "está faltando". Típica situação em que o requisito de quantidade mínima se impõe. O interessante é que Maria, buscando outras letras para pôr, não repete nenhuma das anteriores, mas volta a dizer "so-pa" enquanto coloca as consoantes correspondentes a essas sílabas. (De fato, repete várias vezes "so" antes de pôr S e várias vezes "pa" antes de grafar P, como se buscasse essas letras). O resultado é OASP. Todas as letras da palavra estão ali, mas em desordem. Maria não consegue ler sua própria escrita. Poderíamos pensar que primeiro analisou as vogais, os núcleos vocálicos das sílabas e depois os ataques 4 consonantais. Contudo, essa descrição me parece incorreta. Como veremos, se trata sempre de representar a sílaba, a mesma unidade, porém com base em perspectivas diferentes, ancoragens diferentes. O que Maria produz são duas escritas silábicas justapostas.

Um caso extraordinário é Santiago, também de 5 anos (Molinari e Ferreiro, 2007). A essa criança se solicita que escreva uma lista de compras, primeiro no papel e depois no computador. Dois desses pares de palavras são notáveis. Santiago já sabe que não se pode escrever somente com vogais. Produz SA no papel e OD na tela para soda; escreve SAM no papel e ALE na tela para salame. Por quê, se Santiago conhece todas as letras de soda e de salame, não pode colocá-las juntas? Temos chamado alternâncias grafo-fônicas esse fenômeno. Como explicá-lo? Creio que assistimos a alternâncias de centrações cognitivas sobre dois aspectos da unidade sílaba. A sílaba oral é considerada com base em suas ancoragens diferentes. As letras escolhidas correspondem a essas duas ancoragens. Uma centração no lado vocálico da sílaba ocorre depois uma centração no lado consonantal. A mesma sílaba é ouvida de outro lugar. (Ouvida e vista porque a escrita permite vê-la).
 http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/desestabilizacao-escritas-silabicas-alternancias-desordem-pertinencia-663205.shtml?page=0

Para ler...

"Quem tem muito pouco, ou quase nada, merece que a escola lhe abra horizontes”
Emília Ferreiro
“Um dos maiores danos que se pode causar a uma criança é levá-la a perder a confiança na sua própria capacidade de pensar”
Emília Ferreiro

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